<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4237963418784280248</id><updated>2011-07-30T09:44:41.420-07:00</updated><title type='text'>Assunto</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4237963418784280248/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>JE Informa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_W6lc2At68wQ/Sn45US15QVI/AAAAAAAAAhw/m1Hr7b6Uqpw/S220/Logo1.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>6</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4237963418784280248.post-4295791317859592043</id><published>2010-09-18T21:01:00.000-07:00</published><updated>2010-09-18T21:01:52.607-07:00</updated><title type='text'>O apego da TV ao raso</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há uma semana, o mundo rememorou o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 às torres gêmeas, o World Trade Center, em Nova Iorque, o evento trágico-espetacular que inaugurou com imagens inesquecíveis o Século XXI, imagens transmitidas ao vivo, pela televisão, para todo o mundo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As cenas dos dois aviões lotados de pessoas e combustível chocando-se contra os edifícios-símbolo do capitalismo do Século XX e transformando-os em chamas, fumaça e morte, matando cerca de três mil pessoas, redefiniram o cenário geopolítico do mundo e inauguraram um novo tipo de medo: globalizado, volátil, sem forma física definida, um terror alimentado não por guerras territoriais, ameaças entre potências econômicas disputando poder, quedas de braço político-ideológicas na linha capitalismo versus socialismo, mas um medo alimentado por elementos muito mais etéreos, como religião, intolerância, valores morais, fundamentalismo e diversidade cultural. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nove anos depois da queda do WTC, a televisão do mundo, só para variar, demonstra que é da sua natureza não conseguir evitar engolir a isca da vulgaridade e se deixar seduzir por personagens rasos. Nem mesmo a sacralidade que o 11 de setembro tem para os cidadãos dos Estados Unidos foi suficiente para que a própria TV norte-americana, ou estadunidense, como exigem os códigos discursivos da re-semantização do mundo, conseguiu evitar que as principais redes de TV tornassem uma celebridade mundial por uma semana o fanático e surtado pastor sem ovelhas Terry Jones. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;BEATO SALU&lt;/strong&gt; - Líder de uma igreja interiorana com apenas 50 fiéis, Jones recebeu da TV mundial seus 15 minutos de fama e sem esforço algum: apenas percebeu que se anunciasse um desatino qualquer o seu objeto de desejo, ou seja, as câmeras de TV, viriam correndo prostrar-se aos seus pés. E não deu outra. Assim foi. Anunciou, como uma espécie de Beato Salu globalizado pela CNN (personagem de Dias Gomes, na novela Roque Santeiro), que iria fazer uma fogueira com exemplares do Alcorão, o livro sagrado do islamismo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O álibi era um protesto contra a construção de um centro islâmico a poucos metros do Ponto Zero, o local onde ficavam as torres gêmeas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fato importa, mas a TV acha muito auspicioso que ele traga junto um personagem. Quanto mais freak, burlesco, raso, vulgar ou insano, melhor. A Copa do Mundo? Não basta em si. É preciso criar factóides surreais, mas reais, como um polvo melequento e uma paraguaia desinibida que teve a idéia mais revolucionária de todos os tempos para ficar famosa, tirar a roupa para o mundo, ser chamada de musa e ganhar dinheiro: enfiar um celular entre os peitos, recriando e adaptando uma ‘espanhola’, como um aparelho celular substituindo outra coisa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do mesmo modo, há muito tempo a TV descobriu que, tão ou mais importante que a condenação da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani à morte por apedrejamento na cabeça, são as reações das celebridades do mundo, e das nulidades também, sobre o episódio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;CIGANOS&lt;/strong&gt; - O que vende mais? Uma entrevista sobre a condição feminina no islã ou uma declaração revoltadíssima da primeira dama francesa, Carla Bruni, em defesa de Sakineh? Em nome do seu ativismo fashion, La Bruni , de dentro dos seus modelitos Gucci e do conforto das sapatilhas Chanel, bradou ao mundo. Foi chamada, em retaliação, pelos iranianos, de adjetivos e substantivos entre os quais prostituta, adúltera, devoradora de homens e destruidora de lares eram os mais elogiosos. Mas continua sendo curiosíssimo que a mesma televisão do mundo que se interessa tanto pelo ponto de vista de Bruni sobre Sakineh não tenha se lembrado até agora de perguntar por que a primeira dama não diz um “A” sobre os arroubos de xenofobia do seu amado marido, Nicolas Sarakozy, que declarou guerra aos ciganos na França e quer expulsá-los um a um. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E no panteão de personagens vulgares que têm lugar garantidíssimo no estrelato televisivo do mundo, um outro pastor e suas seguidoras fiéis, em Ohio (EUA), liderou um movimento revolucionário em nome da moral e dos bons costumes. Como era de se esperar, ganharam fama internacional e generosa minutagem na TV. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contrárias a uma casa de streap tease, as ovelhas do pastor lançaram mão de filmadoras, registraram todas as placas dos carros que estacionavam na boate e espalharam as imagens pela rua e na Internet, perguntando às esposas bem casadas se sabiam que, em tais dias e horários, o carro da família estava em um antro da pornografia. As stripers foram transformadas em Genis e, revoltadas, fizeram um anti-movimento, na praça da cidadezinha de Warshaw. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como a TV é generosa, também deu espaço para as moças se defenderem e um bom motivo para os apresentadores televisivos do mundo darem suas risadinhas oblíquas nas bancadas noturnas dos telejornais após a exibição de imagens e falas das meninas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;AL JAZEERA&lt;/strong&gt; - E, diante do gosto irremediável da televisão pelo espetacular, é fato, trocadilhos infames à parte, que a terra chilena sobre os mineiros caiu como uma luva. No instante seguinte, mesmo diante da informação de que o processo de resgate levará meses, a TV do mundo inteiro montou um circo na superfície da mina. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cada vez que um mineiro faz xixi, espirra, fica irritado ou insone, o mundo inteiro acompanha, o que faz esses reality shows de patricinhas e mauricinhos da Globo parecerem um acampamento de malhação visto por meia dúzia de adolescentes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reality de verdade é o que a TV globalizada está exibindo ao vivo, direto do Deserto de Atacama, no Chile, com gente de verdade e emoções de mentira na tela. A cada criança que nascer, seja filha, neta ou bastarda de um mineiro, será batizada com o nome de Esperança e terá sua cara de recém-nascida exibida até na Al Jazeera. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Texto publicado também no Jornal A Tarde, Salvador, em 19/09/2010. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4237963418784280248-4295791317859592043?l=jeinformaassunto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/feeds/4295791317859592043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/2010/09/o-apego-da-tv-ao-raso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4237963418784280248/posts/default/4295791317859592043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4237963418784280248/posts/default/4295791317859592043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/2010/09/o-apego-da-tv-ao-raso.html' title='O apego da TV ao raso'/><author><name>JE Informa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_W6lc2At68wQ/Sn45US15QVI/AAAAAAAAAhw/m1Hr7b6Uqpw/S220/Logo1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4237963418784280248.post-1266274025883313653</id><published>2010-09-14T06:21:00.000-07:00</published><updated>2010-09-14T06:21:35.532-07:00</updated><title type='text'>Os donos da Lei</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cada 15 segundos, uma mulher é espancada no Brasil e, a cada dia, 10 mulheres são assassinadas no país. Os dados são atualíssimos, levantados pelo Mapa da Violência no Brasil. Os agressores são, quase que invariavelmente, o namorado ou o ex, o marido, o companheiro ou o ex. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto os telejornais nacionais ainda voltam-se quase que diariamente para os crimes, ainda insolúveis, cometidos contra Mércia Nakashima e Eliza Samudio, e silenciam, dada a quantidade de casos semelhantes diários e impossíveis de serem todos abordados, sobre todos os outros milhares ocorridos desde a morte/desaparecimento das duas, a TV local apresentou nesta semana a sua própria Eliza-Mércia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;Em Salvador, a família de Marleide de Oliveira Junqueira, 37 anos, está desesperada com o seu desaparecimento, há mais de 20 dias, e acusa seu namorado de estar envolvido no que quer que tenha ocorrido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mais impressionante dos dados levantados pelo Mapa da Violência é a discrepância de sentido entre o que dizem os entrevistados homens sobre a agressão moral, psíquica e física cometida contra a mulher e os índices dessas mesmas agressões, apontados pelo Sistema Único de Saúde e pelos boletins de ocorrência das delegacias de todo o país. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou seja, a menos que se acredite que as mulheres brasileiras são agredidas, espancadas, assassinadas e, em graus muito mais quantitativos, ofendidas moralmente e submetidas a sofrimento psíquico entre quatro paredes, por ETs que vêm de Marte, pode-se deduzir que os mesmos machos que, no espaço público, são quase militantes antiviolência contra a mulher, são, eles próprios, os agressores contumazes dos índices. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;TIROS&lt;/strong&gt; - Os mesmos homens que se dizem contra, levando-se em conta o percentual da discordância masculina nas pesquisas quanto à violência dessa natureza, são, também, os responsáveis pela chegada das mulheres a delegacias, hospitais, consultórios médicos ou cemitérios. É a velha tese: diz-se uma coisa, faz-se outra. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que o diga o ex-namorado de Mércia Nakashima, capaz de absorver toda a produção de óleo de peroba do mundo quando sustenta que nada tem a ver com os tiros deflagrados contra a advogada, cujo corpo foi encontrado dentro de um carro submerso numa lagoa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos casos diariamente veiculados na TV, representativos dos milhões de outros que ocorrem nesse instante nas melhores famílias brasileiras e que jamais virão a público, o que paira, depois do machismo histórico nacional que corticaliza nos homens a certeza de que as mulheres são suas e devem funcionar como se fossem passíveis de comando por um controle remoto acionado pelo desejo deles, é o pântano que norteia muitas relações amorosas estranhíssimas, perigosamente e lentamente construídas na intimidade dos casais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse é o território que fermenta os desfechos de casos como o de Eliza, Mércia e Marleide, nos quais as motivações da doença da agressividade resumem-se, quase todas, a ciúmes, vontade de controle e à certeza, por parte de muitos homens, de que, diante de uma mulher a quem eles dizem amar, são os donos de um código de leis privativo que vão ditar sempre que quiserem e ao qual elas devem obedecer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dois filmes recentes, e mais densos que ilustrativos da condição feminina no mundo, traduzem para além de suas respectivas poéticas trágicas, a violência que o mundo dos homens é capaz de cometer contra as mulheres: Vincere, sobre a primeira mulher de Benito Mussolini e como o poder masculino sabe e pode adoecer e matar uma mulher literalmente quando ela não se adequa ao papel da atriz mentirosa que deveria atuar em sua própria vida, negando suas próprias certezas e desejos; e Hanami/Cerejeiras em Flor, sobre como o mais apagado e bundão dos maridos pode ser um assassino em potencial de desejos, projetos e sonhos femininos, sem deixar rastros visíveis de violência ao longo de uma vida num casamento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;BARRACO&lt;/strong&gt; - O fato, diante da violência de todos os tipos contra as mulheres, noticiados dia sim e outro também nos melhores e piores telejornais do país, é que, sob a imagem corriqueira de um casal na rua, pode haver um disfarçado e violento legislador da alma feminina. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Impotente e certo da sua incapacidade de habitar os desejos e a natureza do seu objeto de prazer e posse, e mais ainda, de comandá-los, é um agressor em potencial. Diante de qualquer frustração, pode e vai lançar mão de armas que muitas mulheres, quando as identificaram como ameaça era tarde demais. E não vale aqui as mães zelosas e suas filhas castas acharem que Eliza Samudio morreu porque era puta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de acionar os mecanismos do julgamento moral torto para justificar violência, que olhem para seus maridos comportados, seus pais provedores, seus irmãos do bem, seus namorados, e lembrem-se que, sem eles como clientes, não haveria putas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às mulheres, o diagnóstico que as leva para os centros de tortura, na linha dormindo com o inimigo é, quase sempre, a síndrome torta da cobertura. Quando apaixonadas, as mulheres, diante de um homem-barraco, sempre acham que vão transformá-lo numa cobertura, quem sabe até num dúplex. Auto-engano do bom. Um barraco nunca será uma cobertura. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No máximo será um armengue, um barraco maquiado que, diante de qualquer ventinho, vai mostrar do que é feita sua estrutura interna e sua base essencial. Mas nenhuma mulher é proibida de tentar. E disso são feitas tanto as equações das tragédias vistas na TV quanto das silenciadas nos recônditos privados: uma mulher que se crê capaz de transformar barracos em cobertura e homens que se dizem radicalmente contra a violência e, na intimidade, quando vêem seus códigos de leis contra a alma alheia desobedecidos, incorporam um Jack básico, o estripador. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O principal desafio do combate à violência masculina contra a mulher é que, quase sempre, ela só se torna pública e crível quando se derrama e torna-se irreversível. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;strong&gt;Texto publicado originalmente no Jornal A Tarde, em 12 de setembro.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4237963418784280248-1266274025883313653?l=jeinformaassunto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/feeds/1266274025883313653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/2010/09/os-donos-da-lei.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4237963418784280248/posts/default/1266274025883313653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4237963418784280248/posts/default/1266274025883313653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/2010/09/os-donos-da-lei.html' title='Os donos da Lei'/><author><name>JE Informa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_W6lc2At68wQ/Sn45US15QVI/AAAAAAAAAhw/m1Hr7b6Uqpw/S220/Logo1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4237963418784280248.post-2466555919122247097</id><published>2010-09-10T08:23:00.000-07:00</published><updated>2010-09-10T08:23:07.855-07:00</updated><title type='text'>A alegria é triste</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No último domingo, Salvador assistiu a uma festa esquisita pela TV local. A implosão do Estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, foi transformada em uma mistura de cerimônia épica, velório, boca livre e programa de domingo para a família inteira. Teve até a famigerada invenção mais aclamada da classe média: camarotes para vips, famosos, imprensa e autoridades. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teve até um quê de arremedo de festa religiosa, pois assim como os pedaços da cruz onde Jesus foi crucificado que se diz existirem hoje no mundo dariam para fazer centenas de cruzes, tantos quantos serão os pedaços dos escombros da Fonte Nova que as gerações futuras serão obrigadas a cultuar, herdados dos antepassados que foram à implosão para resgatar uma relíquia de cimento. Cada um tem a relíquia que pode e quer, ora. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A televisão é um bicho encantatório e hipnótico. Quase sempre, com raras exceções (José Serra é uma delas), transforma qualquer coisa em outra coisa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim sendo, mesmo que muita gente não tenha planejado participar da festa e muito menos chorar na cerimônia, foi hipnotizado pela cobertura televisiva dos dias anteriores e quando se deu conta lá estava, nas imediações da Fonte Nova, pronto para emocionar-se e chorar tão logo se aproximasse uma câmera, um microfone ou um repórter curioso para saber do espectador qual era o sentimento naquele instante. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa é uma pergunta fatal da TV, seja diante de um soterramento de mãe, de um palco protagonizado por Fiuk e, imagine-se, diante da implosão de toneladas e toneladas de cimento de um estádio de futebol. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;INSULTANTE&lt;/strong&gt; - Para coroar o aspecto circense de uma emotividade que o público não hesita em exercitar quando a imprensa está por perto, uma mulher devidamente fardada com uma camisa do Vitória foi de uma franqueza insultante para os presentes entristecidos diante do enterro do estádio, cuja morte se deu junto com as vítimas da tragédia de setembro de 2007. Perguntada sobre o que sentia, a moça não decepcionou os perversos: “eu vou levar um pedaço de pedra para casa. Mas estou alegre de ver a casa do Bahia caindo”. Sinceridade demais faz mal a comoções públicas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Futebol é futebol e opinião de torcedor é tão levada a sério quanto juras de amor de bêbados, mas a fala da moça não deixa de servir como ilustração à perfeição à tese de que “baiano é capaz de gastar 100 para o outro não ganhar não ganhar 10”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A frase é uma das muitas insólitas e tradutoras da Bahia atribuídas ao ex-governador Octávio Mangabeira, liderança política que deu, inclusive, nome ao estádio. E olhem que Mangabeira morreu nos anos 60, quando o mundo, e a Bahia junto, era muito mais inocente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fato é que só a perversão humana, a catarse das torcidas ou a sordidez pura e simples é capaz de levar um ser humano acordar numa manhã de domingo para ver um desabamento só pela alegria de ver o opositor enterrando seu passado afetivo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi a declaração mais interessante entre o chora chora captado pela TV. Faz pensar na arquitetura do pensamento dos indivíduos e naquilo que os move. Era a tristeza de tantos, real ou despertada de véspera pelo tatibitate da imprensa, transformada na alegria de umas poucas e de uma única que a confessava. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;NÁDEGAS&lt;/strong&gt; - Uma semana depois, também via futebol, o país assistia a um espetáculo festivo que revelaria a fluidez entre festa, alegria, tragédia e tristeza. O que era a monumental festa dos 100 anos do Corinthians não poderia ter terminado de maneira mais vulgar: 25 vagões de trens e dezenas de fachadas de edifícios depredados por vândalos em êxtase e uma torcedora morta, atropelada por nada menos que o ônibus imponente da cúpula do time. Alegria mais triste, impossível. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para além dos dois espetáculos esportivos, o show de horrores continua diariamente na TV durante o horário eleitoral e no telejornalismo político. Numa eleição que caminha para a falta de surpresas, haja factóides de quinta. O mais criativo que conseguiram imaginar foi a quebra de sigilo fiscal de meia dúzia de nomes políticos conhecidos por menos de meia dúzia de brasileiros. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para disfarçar, quebram também o de Ana Maria Braga, numa prova tácita de que os autores do imbróglio não têm um pingo de criatividade. Todo mundo deve mais do que imaginar os números nababescos que passam ou se escondem do Imposto de Renda de Ana Maria Braga. O que ninguém sabe é a forma da cara e da conta corrente do Louro José. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ainda no imbróglio eleitoral da quebra de sigilo de aliados do candidato José Serra e seus familiares, atribuído pelo próprio à candidata Dilma Roussef, seja lá quem tenha sido, a estratégia pareceria estúpida a qualquer boa vilã da TV, gente como Flora e Clara, por exemplo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se foram os chamados aloprados do PT, como dizem os tucanos, para bisbilhotar a vida dos próximos a Serra buscando contradições financeiras para tirar votos do candidato, perguntar não ofende: tirar quais votos, estúpidos? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O homem não os tem. Se foram os tucanos, para jogar a culpa em Dilma e queimá-la junto ao eleitorado, a pergunta é: e o grosso do eleitorado de Dilma, aquele que faz a diferença nas urnas e que não sabe quem é Zé, lá vai saber quem diabos é Verônica Allende Serra e Eduardo Jorge? E pior: quantos eleitores sabem que raio é sigilo fiscal quebrado? Quanto a Ana Maria Braga, o povo tá muito mais interessado em saber quantos mililitros de silicone desapareceram em suas nádegas sem fazer efeito do que em seu Imposto de Renda. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Texto publicado originalmente no Jornal A Tarde, em 5 de setembro.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4237963418784280248-2466555919122247097?l=jeinformaassunto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/feeds/2466555919122247097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/2010/09/alegria-e-triste.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4237963418784280248/posts/default/2466555919122247097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4237963418784280248/posts/default/2466555919122247097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/2010/09/alegria-e-triste.html' title='A alegria é triste'/><author><name>JE Informa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_W6lc2At68wQ/Sn45US15QVI/AAAAAAAAAhw/m1Hr7b6Uqpw/S220/Logo1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4237963418784280248.post-6855227404434361251</id><published>2010-08-31T07:56:00.000-07:00</published><updated>2010-09-06T08:00:44.562-07:00</updated><title type='text'>Pobreza Eleitoral Obrigatória</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se há um elemento que parece ter se tornado obrigatório a todo e qualquer candidato, a qualquer mandato, é a condição de pobre. Muito pobre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais, melhor. Basta uma edição do Horário Eleitoral para que fique claríssimo para o eleitor que a principal virtude de todos esses homens e todas essas mulheres, todos cheios de boas intenções, que lhe pedem o voto não é outra senão a pobreza extrema, vinda não do berço, pois pobre não tem berço, mas de todas as gerações anteriores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém escapa da síndrome. Seja nos debates, seja nas peças de campanha, ela, a pobreza, está lá, como o principal traço biográfico de candidatos ao governo federal, estadual, ao Senado, à Câmara Federal ou à Assembléia Legislativa. E este é um traço das candidaturas que, em maior ou menor grau, se verifica em todos os estados brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O páreo para disputar o trono do vencedor do posto de pobreza máxima é duro. No caso da Bahia, um candidato ao governo do estado diz que sua santa mãezinha só pôde comprar a tão sonhada casa própria, e com muito sacrifício, após os setenta anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um candidato ao Senado diz que é filho de retirantes da seca e um terceiro chega ao cúmulo de até pronunciar o próprio nome errado, substituindo o L pelo R, para, assim, reproduzir à perfeição a pobreza e o analfabetismo da mãe, pobre e lavadeira, quando invocava a necessidade do filho estudar para ser gente. Sim, a síndrome da pobreza desejável tem disso, faz com que os pobres de verdade, embora tenham vivido sob essa condição num passado para lá de remoto, quando misturados ao discurso coletivo do elogio vulgarizado da pobreza, também se tornem aparentes canastrões num set de TV. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;SEBASTIÃO SALGADO&lt;/strong&gt; - Já houve um tempo em que o sonho de toda liderança política era erradicar a pobreza, pois parece ser consenso que ser pobre não é coisa lá muito boa ou agradável para ser erigida ao posto de condição de vida invejável. Mas, num passado recente, provavelmente sob inspiração da biografia ímpar do Presidente Luís Inácio Lula da Silva, ser pobre não só tornou-se algo elogiável como passou a ser o objeto de desejo de toda e qualquer liderança política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O elogio renitente à pobreza não está apenas nos atos de fala dos candidatos a cargos eletivos. Está, sobretudo, na escolha dos elencos populares usados por estes e por todos que já estão no poder, para elaborar peças de TV que mais parecem portfólios animados de Sebastião Salgado. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto mais desdentados e sem capacidade de se expressar, mais bem vindos são os pobres às campanhas no horário eleitoral. Até mesmo homens bem sucedidos e sisudos, há muito adaptados aos corredores das boas universidades paulistanas esquecem a vida atual de conforto e reivindicam ser chamados de Zé e contam com voz embargada que, quando rapazotes, tinham como sonho, acreditem, fazer um curso de mecânico no SENAI (qualquer semelhança com Lula terá sido, obviamente, mera coincidência) ou montar uma quitanda, num tempo em que não havia supermercados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que momento a vida desses jovens com tanto talento para a pobreza deu errado e eles ingressaram em uma vida bege burguesa da qual precisam, coitados, se envergonhar? Ah, isso eles não contam, pois em campanha eleitoral tudo o que associar-se a algo que se distancie da pobreza absoluta tornou-se mal visto, um tabu, e deve ser evitado a qualquer custo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;POVO DO GUETO&lt;/strong&gt; - Um outro candidato ao Senado pela Bahia intenciona levar o eleitor às lágrimas quando diz que, de tão humilde, precisou sair de casa aos 14 anos, para lutar pela sobrevivência. Por lutar pela sobrevivência, depreende-se do próprio discurso do candidato, embora a muito custo, pois detalhes felizes todos querem esconder, nada menos que sair de uma cidade minúscula do interior para ir para outra, mais desenvolvida, para estudar, na casa de parentes. Coisa que, sabe-se, não é para o bico de um menino pobre qualquer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A síndrome da pobreza está tão entranhada no discurso eleitoral que alguns candidatos parecem desejar automutilar-se por não terem nascido negros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são candidatos ao governo da Bahia, mas ao governo do ‘povo do gueto’, povo este, traduzido como os moradores negros do bairro da Liberdade, em Salvador. Cada um tem o Netinho de Paula (aquele do Dia de Princesa na TV) que pode. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato, no entanto, é que, além do discurso ‘vote em mim que eu seu pobre’ (não se deve estranhar se, nas próximas campanhas, aparecer algum pobre dizendo que, por isso, poderia estar matando, estar roubando, mas, não, está candidatando-se e pedindo votos) já ter cansado de há muito e causar quase que um efeito inverso no eleitor escaldado, todos esses pobretões de estirpe vêem, ano após ano, seu avanço patrimonial decolando em ritmo geométrico. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;FIGURANTES&lt;/strong&gt; - Um aspecto, no entanto, chama mais atenção do que o uso e a exploração das imagens e dos discursos da pobreza por parte de todos os candidatos. A maioria deles vêm de sucessivos mandatos ou, quando mais novos na vida política, pertencem a oligarquias ou grupos que já experimentam ou experimentaram o poder durante anos. E, mesmo assim, esses candidatos não se envergonham de muito pouco, quase nada ou nada terem feito para reduzir o nível de pobreza das populações cujos interesses dizem defender. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não só não se envergonham de contribuir para a manutenção desse estado de coisas que se vê nas ruas, nas páginas, nas telas, como apostam todas as fichas na cegueira coletiva do eleitorado para, usando a miséria, continuar no poder, alimentando-se eleitoralmente desse exército de Brancaleone misturado com o elenco de figurantes de Canudos e de Vidas Secas que exibem todos os signos da pobreza na TV. Diferentemente do que diz o candidato Tiririca, para quem pior não fica, tanto fica que é para isso que muita gente se traveste de pobre para pedir votos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;strong&gt;Texto publicado originalmente em 29 de agosto de 2010, no jornal A Tarde, Salvador&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4237963418784280248-6855227404434361251?l=jeinformaassunto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/feeds/6855227404434361251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/2010/08/pobreza-eleitoral-obrigatoria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4237963418784280248/posts/default/6855227404434361251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4237963418784280248/posts/default/6855227404434361251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/2010/08/pobreza-eleitoral-obrigatoria.html' title='Pobreza Eleitoral Obrigatória'/><author><name>JE Informa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_W6lc2At68wQ/Sn45US15QVI/AAAAAAAAAhw/m1Hr7b6Uqpw/S220/Logo1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4237963418784280248.post-1289698209417069128</id><published>2010-08-22T14:48:00.000-07:00</published><updated>2010-08-22T14:48:49.933-07:00</updated><title type='text'>A mãe do povo, Zé do mutirão e o apocalipse</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como o nível de politização e informação da media da população brasileira é baixíssimo e boa parte do repertório compartilhado socialmente chega através da televisão, considera-se que a campanha eleitoral só começa, de verdade, quando estreia o horário eleitoral no radio e na TV. A estreia se deu na tarde desta terça-feira e, emulando a teledramaturgia nacional, o gênero mais consolidado da TV brasileira, os marqueteiros dos candidatos investiram, já no primeiro programa, em três personagens que reivindicam nada menos do que o ingresso na antologia definitiva dos tipos políticos brasileiros: a mãe do povo, Zé do mutirão na Portelinha e a Santa Guerreira contra o Apocalipse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No primeiro programa, veiculado à tarde (na versão noturna todos exibiram outro conteúdo), os três tipos, representados pelos três principais candidatos, apareceram nítidos na tela. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O PSDB, depois do fracasso de "Geraldo", o Alckmin, criou "Zé", o Serra, e o obrigou a sorrir muito, a sentar-se à mesa de pobres, deficientes e velhinhas chorosas salvas da cegueira nos dois olhos pelos mutirões de cirurgias de cataratas promovidos por José Serra, quando ministro da Saúde de Fernando Henrique Cardoso. Como se fosse pouco para um homem com a sisudez de Serra, as imagens tinham como jingle versos que, inacreditavelmente, traziam o nome de Lula da Silva. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A musiquinha dizia que, depois de Lula, fica Zé, um homem sorridente que dialoga com o Brasil doente, pois tem Idea fixa em mutirão de tratamento médico e só fala em remédios e patologias. Não foi à toa que no primeiro debate televisivo o candidato do PSOL à Presidência e franco atirador, Plínio de Arruda Sampaio, chamou Serra de hipocondríaco, por só falar em doença. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ENXOVAL&lt;/strong&gt; - Como não pode ele próprio, por ser homem, metamorfosear-se em mãe do povo, como o marketing do PT fez com Dilma Roussef, Serra promete implantar no Brasil um programa chamado ‘Mãe do Brasil’. Ele conta, sempre sorridente, que, em São Paulo, até um enxovalzinho os bebes ganham nas maternidades públicas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O excesso de sorrisos de Serra tem causado espécie, aqui e alhures, seja na mídia eletrônica, impressa ou on line. A jornalista Milly Lacombe disse, no twitter: "a coisa tá feia para o Serra. Ajudaria se ele tentasse parar de sorrir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez ele não tenha um músculo específico que faz sorrir naturalmente". Sobre o mesmo sorriso, a revista inglesa The Economist vai além e é impiedosa: "ele aparenta ser insípido, exceto quando sorri, quando parece assustador".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já Dilma Roussef, estreou no horário eleitoral com nada menos que um documentário, literalmente rodado em película, assinado por João Santana Filho. No melhor estilo “Quem sou eu/Esta é a minha vida”, a peça é esteticamente irretocável e o telespectador desavisado corria o risco de imaginar que, de tão terna, a música de fundo que embalava as imagens das fotos em preto e branco de um álbum de família de Dilma (incursionando por sua trajetória no movimento estudantil e na cadeia), poderia ter sido extraída do CD da banca mineira Pato Fu, Música de Brinquedo, em que os arranjos são todos feitos com instrumentos musicais infantis. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comparando-se as peças da propaganda dos dois candidatos que, de fato, estão disputando a eleição, a desvantagem para o candidato tucano é de causar constrangimento para os marqueteiros do PSDB. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que se viu foi Serra interpretando sofrivelmente um Zé apopularescado e de sorriso forçado, com direito à imagem de uma favela nos moldes da Portelinha, a favela novelesca de Juvenal Antena (Antônio Fagundes), criada por Aguinaldo Silva em Duas Caras. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;RINHA DE GALO&lt;/strong&gt; - Marina Silva, que, embora acuse Dilma e Serra de infantilizar a sociedade brasileira quando matracam as idéias de pai e mãe do povo e do Brasil, também se rende à infantilização, ao descrever-se como a filha da floresta, fez e não aconteceu em seu tempo de apenas um minuto e 23 segundos na estreia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse tempo exíguo, optou por referir-se a catástrofes que virão se o eleitor não cuidar da natureza. O que se viu no primeiro dia poderia ser peças do videoativismo do Greenpeace ou uma bula imagética didática onde a candidata ensina os passos para evitar o Apocalipse. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Citando ameaças como o fim da água, o aquecimento global e a morte das florestas, Marina não economizou no pieguismo ao bradar: "os combustíveis fósseis bombeiam nossas esperanças e ilusões". Bombeiam? Verbo pior que este para o contexto só mesmo o apego que os candidatos estão desenvolvendo por ceifar. No Brasil não se mata nem se morre em conseqüência da violência: vidas são ceifadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na esfera local, a coisa é feia, feiíssima, e merece um texto à parte. No entanto, antes mesmo de qualquer análise do conteúdo do programa eleitoral local, o episódio midiático mais deprimente entre os relacionados à eleição já aconteceu e não deve encontrar concorrência à altura: o debate realizado pela TV Aratu entre os candidatos ao Senado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As piores rinhas de galo ganhariam fácil em bons modos. Depois disso, o quadro Bafafá, da concorrente TV Itapoan, centrado em rapapés vulgares entre vizinhos na periferia, já pode reivindicar o posto de cool e discreto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;strong&gt;Texto publicado em 22 de Agosto de 2010 no jornal A Tarde, Salvador.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4237963418784280248-1289698209417069128?l=jeinformaassunto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/feeds/1289698209417069128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/2010/08/mae-do-povo-ze-do-mutirao-e-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4237963418784280248/posts/default/1289698209417069128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4237963418784280248/posts/default/1289698209417069128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/2010/08/mae-do-povo-ze-do-mutirao-e-o.html' title='A mãe do povo, Zé do mutirão e o apocalipse'/><author><name>JE Informa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_W6lc2At68wQ/Sn45US15QVI/AAAAAAAAAhw/m1Hr7b6Uqpw/S220/Logo1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4237963418784280248.post-4209859497519531558</id><published>2010-08-20T14:48:00.000-07:00</published><updated>2010-08-22T14:53:40.060-07:00</updated><title type='text'>Perfil</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_W6lc2At68wQ/THGcAB-BodI/AAAAAAAAAng/PxOwPz44C7s/s1600/malufontes.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" ox="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_W6lc2At68wQ/THGcAB-BodI/AAAAAAAAAng/PxOwPz44C7s/s200/malufontes.jpg" width="199" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;Malu Fontes&lt;/strong&gt; é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA, Universidade Federal da Bahia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4237963418784280248-4209859497519531558?l=jeinformaassunto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/feeds/4209859497519531558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/2010/08/perfil.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4237963418784280248/posts/default/4209859497519531558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4237963418784280248/posts/default/4209859497519531558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jeinformaassunto.blogspot.com/2010/08/perfil.html' title='Perfil'/><author><name>JE Informa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_W6lc2At68wQ/Sn45US15QVI/AAAAAAAAAhw/m1Hr7b6Uqpw/S220/Logo1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_W6lc2At68wQ/THGcAB-BodI/AAAAAAAAAng/PxOwPz44C7s/s72-c/malufontes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
